LUSITANO NO TOUREIO
IV séculos A.C., Xenofonte descrevia a forma de montar dos povos do litoral da Ibéria, como única e inovadora. Estrabão celebre Filosofo e Cronista, relatava ao Imperador de Roma: " Os Povos do litoral, têm por hábito de a cavalo combaterem touros, que na Hispânia, têm fúria"- referia-se aos Povos da parte Ocidental da Península Ibérica. Poseidónio, mestre do estoicismo, elogiava os cavalos Celtiberos do Ocidente da " Hispéria, muito mais velozes do que quantos se conhecem incluindo os Particos", montados pelos temíveis cavaleiros/ archeiros da Ucrânia.
Antes da fundação de Portugal como nação, selaram-se tratados entre
Cristãos e Mouros, em corridas de touros em Almada e Sintra.
El Rei D. Duarte escreve em 1434 o tratado de equitação que abriu
caminho á Equitação Clássica e á Arte de tourear a cavalo, como
actividades de elevada importância técnica e artística.
Até aos nossos dias, a história da nossa Nação não poderia ser escrita sem
a tinta que imortaliza o gosto que, desde a fundação de Portugal, Monarcas,
Nobres e Povo têm sentido por montar e tourear a cavalo.
Nem a amargura do Marquês, consequência da sua falta de destreza, que
por essa ou por razões " mais elevadas", mandou assassinar a mais alta
nobreza desta nação e com ela a mais fina elite de interpretes do Toureio a
Cavalo, nem Filipe V de Espanha - Duque de Anjou, que, pelas mesmas
razões, quis acabar com as corridas de touros na Península, nem a Rainha
D. Maria II, nem tantos outros ataques a esta Arte tão nobre e Lusitana,
conseguiram travar o seu desenvolvimento, tendo vindo a afirmar-se, como
uma das mais profundas e genuínas manifestações culturais Lusitanas e
berço de uma das mais prodigiosas acções de selecção animal do mundo -
O cavalo Lusitano.
Avancemos então para a nossa época.
Analisar a selecção do cavalo Lusitano nos últimos 30 anos, sem
previamente observar a evolução do toureio a cavalo, é correr o risco de
não compreender o que de verdadeiramente importante se tem passado
neste período fundamental para a evolução desta raça.
É importante assimilar, que até aos anos 40, o toureio a cavalo era uma
realidade totalmente diferente da actual. As três regras básicas do toureio
moderno, Parar, Templar e Mandar, eram apenas conceitos associados
ao toureio a pé. O mando no toureio a cavalo, baseava-se essencialmente na
variação de velocidade. A reunião resultava de movimentos em trajectórias
rectilíneas ou curvilíneas de grande raio, em que a investida do toiro, mais
do que dominada, era como que ultrapassada, adaptando a trajectória que
permitia vencer o piton - e nessa altura era vulgar referir-se apenas o piton,
que era obviamente o de fora -á velocidade do toiro.
Era, assim, importante a existência de um cavalo de comando fácil capaz
de se inserir com à-vontade, em circunferências de maior ou menor
diâmetro, permitindo um contacto ligeiro com a mão e grande capacidade
de alternar passadas rápidas com passadas ainda mais rápidas e vice-versa.
O equilíbrio ideal, era o que permitia um contacto com a mão ultra ligeiro, para que as variações de velocidade e direcção fossem rapidamente executadas.
É a partir dos anos 30 que o Mestre João Núncio lança, com solidez, as
bases do toureio a cavalo moderno.
A ligeireza, a criatividade, o sopro de genialidade deste cavaleiro mudaram
a história no toureio.
Na sorte de frente, começava-se, então, a ver definidas as bases que tinham
sido impostas pela revolução de Belmonte no toureio a pé: Parar, que
significa fundamentalmente, citar e dar primazia á investida do touro,
Templar, que consiste em conferir uma sensação de lentidão às trajectórias
e à velocidade impostas pelo toureiro, com a finalidade de alcançar ritmo e
ligação, dando a ideia de que se pode parar o tempo e reduzi-lo apenas a
emoção, Mandar, que se trata de impor trajectórias de investida até á
reunião. Reunião que, no toureio moderno, deixa de ser fugaz e passa a ser
concretizada lentamente, com expressividade, ao meio da curva formada
pelo dorso do cavalo.
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